PSICOLOGIA

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terça-feira, 1 de março de 2011

Casamento e poder


Nessa semana faço aniversário de casamento e fazendo um balanço desses dois anos, eu e meu marido ficamos conversando sobre como estão os casamentos hoje, na descrença de muita gente, enfim... Então encontrei um livro chamado Feminino e Masculino que fala sobre a influëncia da cultura nas nossas decisões e das diferenças nas classes sociais. O que me chamou a atenção foi na grande diferença que uma pesquisa brasileira mostrou como homens e mulheres veem a familia e a sexualidade, de acordo com as 03 diferentes classes sociais: Burquesa (classe dominante), operaria (camponesa) e classe media. O autor fala sobre a relaçao dinheiro, sexualidade e status. Veja um pouco do que ele fala (conclusões tiradas a partir de quase 3 mil entrevistas):

Classe dominante: São pessoas que ja nascem com todos os desejos realizados então aprendem desde pequenos a ter controle sobre si e sobre os outros. Acham natural que todos os seus desejos sejam satisfeitos. Os homens acreditam que tem mais direito que a mulher e muitos acabam tendo mais de uma familia. As mulheres apesar de demonstrarem ter uma sexualidade mais convencional com os maridos, muitas se relacionam fora do casamento. POrtanto, a classe dominante determina as regras e ao mesmo tempo se da o direito de quebra-las. Para essa classe a familia é mantida porque é o lugar da concentração do capital, ou seja, é preferível uma moral dupla que o rompimento do casamento. Separar muitas vezes significa perder bens, baixa de classe social. O corpo nesse caso foi feito para o prazer, para o consumo e para o poder.

Camponeses: Pessoas que aprendem que os desejos não são para serem satisfeitos, que o sofrimento faz parte de suas vidas; tem que carregar sua cruz. As mulheres, mais que os homens, aceitam o sofrimento como parte da vida, preferem casar virgens, são contra abortos e adulterio. Os homens tem a sexualidade menos reprimida que elas mas não tem condições para sustentar duas familias por exemplo. Eles aceitam a opressão do patrão mas reproduzem a opressão em suas casas. A familia para eles é o lugar de reprodução da força de trabalho, precisam estar casados para subsistirem. O corpo foi feito para o sofrimento, para a fome e para a produção.

Classe media moderna: o autor diz que se trata de profissionais liberais, intelectuais, artistas, estudantes universitarios entre outros. Ao contrario das outras classes, a familia neste caso não esta tão enraizada na classe social até porque essa classe esta entre as duas, defende o operario (ate porque precisa dele), não detem o poder como a dominante mas detem o saber que pode leva-lo a transformar a natureza do poder. Para eles a familia não tem função economica e sim é o espaço da realização afetiva e da educação dos filhos. Para esse homens e mulheres o casamento é bom, vai alem de se manter bem financeiramente ou como subsistencia, é, acima de tudo, uma escolha. Essa classe tem o potencial para criar uma cultura criativa. A mulher da valor á sexualidade como a burguesa contudo tem mais dialogo com o marido sobre os problemas. "Em contraponto das outras classes sociais em que a família possui uma função economica, homens e mulheres da classe média moderna tem uma situaçao privilegiada".

Bom, achei interessante olhar a familia, a sexualidade e as escolhas sob essa ótica. Nós psicologos muitas vezes ficamos focados numa unica perspectiva, tentando psicologizar tudo e esquecemos que o homem é um ser bio-psico-social. E as pessoas que não são psicologos ou sociologos podem tender a olhar sua situação sem uma visão crítica e distanciada, tomando decisões baseadas na satisfação dos próprios desejos.
Enfim, refletindo sobre o que a pesquisa de Boff mostra, quantas vezes fazemos escolhas, buscamos realizar nossos desejos de toda forma e não percebemos o quanto estamos sendo influenciados pela cultura massificadora. Tudo isso mostra o quanto estamos enraizados em nossa classe social e pensamos tal qual ela nos coloca. Todos nós queremos democracia, liberdade de escolha; não gostamos da ditadura porque nos dizem o que fazer e o que falar, mas quando conquistamos nossa liberdade, ficamos reproduzindo comportamentos sem refletir a respeito. Pare e pense: voce é livre para escolher, mas sabe mesmo o que realmente quer? Sabe o que ta buscando e sob qual influencia esta tomando suas decisões, sob quais influencias esta formando sua familia????? Bjus Bjus

"Onde o amor impera, não há desejo de poder; e onde o poder predomina, há falta de amor. Um é a sombra do outro." Carl Gustav Jung

Para quem quer saber mais recomendo: Boff, Leonardo, Feminino e Masculino, Edit. Record.
Imagem da net

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