PSICOLOGIA

PSICOLOGIA
PSICOLOGA LUCIANA VOOS CRP 06/75105

Pesquisar este blog

terça-feira, 5 de julho de 2011

Os opostos se atraem?




Os opostos realmente se atraem?

Há controvérsias. Vemos que muitas vezes isso acontece mas na prática, pesquisas mostram que as pessoas acabam querendo pessoas mais parecidas com elas, talvez até por se sentirem mais seguras, talvez buscando manter o relacionamento mais sob seu controle, talvez uma tentativa de não perder o outro.

Mas como controlar o coração? Com certeza a maioria das pessoas vão preferir buscar segurança do que desafios, aventuras. Escolher o diferente, o novo, o desafiador ainda é reservada a poucos. Como diz Jung, "o amor é como Deus, só se oferece aos mais corajosos".

Jung também diz que "as forças instintivas da psique precisam ser conduzidas a uma condição de extraordinária estimulação para servirem aos propósitos de intensa transformação" (Gnose de Jung, A: e os sete sermoes aos mortos. por Stephan Hoeller). O processo de individuação (que é uma pessoa tornar-se si mesma, inteira, indivisível e distinta de outras pessoas ou da psicologia coletiva)não combina com a quietude serena ou a ausência de sofrimento. Aquela pessoa que quer se tornar única, fazer a diferença precisa ter coragem de escolher conflitos e adversidades que o levarão a tornar-se único.

Nossa mente vive numa constante tensão de opostos. Talvez por isso muitos busquem num relacionamento o seu par de oposto. Os opostos são energias que se atraem e existe uma necessidade humana de integrá-los para que a pessoa chegue a tornar-se aquilo que ela já é, potencialmente. Acredito que seja um imenso desejo da alma de crescer, de transcender. No relacionamento com o diferente esse crescimento pode tornar-se possível pois teremos que aprender a lidar com nosso outro lado, ainda não desenvolvido.

Pensando na prática, sabe aquele casal na qual um é extremamente agitado e ou outro muito calmo. È como se nossa mente tivesse os dois lados e precisasse equilibra-los, então escolhemos um diferente de nós para tentarmos aprender a agir de uma outra forma. Mas no dia a dia é muito dificil porque o casal tende a se estranhar, cada um age a sua maneira porque não sabem agir de outra forma e precisam de tempo para aprender a agir tambem de outras formas. Cada um não vai deixar de ser o que é, mas vão ampliar possibilidades e viver novas experiencias.

"ELA se sentiu atraída pela personalidade dele, uma pessoa prática, objetiva, desembaraçada e entusiasmada. ELE por sua vez, tinha uma atração peculiar pelo temperamento dela - quieto, sonhador, misterioso e pensativo - que lhe parecia um oásis no meio do frenesi acelerado da vida que levava. Depois de alguns meses de casamento porém, as diferenças entre eles começaram a incomodá-los. Enquanto ELA levava um tempo enorme (na opinião DELE) para decidir qualquer coisa, ELE, muito rápido, a deixava muitas vezes com uma sensação de ser inadequada e pouco inteligente, diante da urgência de suas atitudes." (trecho do texto de Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas - site todossomosum)

Quando duas pessoas muito diferentes se escolhem, nunca é á toa. Ambas com certeza desejam crescer, se desenvolver e o relacionamento poderá ajudá-los nisso. contudo é preciso uma única coisa para que isso aconteça de fato: QUERER!!! Ambos precisam querer estar com a outra pessoa, é preciso haver um amor maior que tudo. Não se muda algo da noite para o dia porque estamos acostumados a fazer as coisas de um único jeito. Temos que reaprender todo dia um pouco, mudando pequenos comportamentos. Podemos manter o que já gostamos em nós e ampliar, continuar descobrindo quem ainda poderemos ser... isso não é a vida????? Crescer sempre????

Numa relação na qual um é muito fechado e outro muito aberto, a tendencia no conflito é que eles se afastem porque quando um abre demais, o outro reagirá se fechando mais. E consequentemente, quando este se fecha, o outro se ressente e sente a necessidade de se abrir mais ainda. Isso os afasta e magoa. Se ambos realmente querem que o relacionamento de certo, é preciso que haja um foco no relacionamento: o que ambos tem que fazer para ficarem bem, para o bem do relacionamento? O que se fecha precisará aprender a se abrir mais e o que se abre demais precisará fechar algumas coisas. Isso é amor, transformação, desafio, escolhas, mudança. Isso é a base para a formação de uma família. Quando casamos e temos filhos, muitas vezes nos modificamos, deixamos de lado os nossos desejos egocêntricos pelo bem da família, para que ela existe e fique bem. É por isso que tantas famílias se desfazem hoje, o Ego, como um bebe, não abre mão dos seus desejos pessoais. Sou sempre Eu em primeiro lugar.

O que precisamos aprender é a concretizar o amor, colocá-lo em prática. Ás vezes conhecemos famílias aparentemente comuns, nada de especial mas quando chegamos pertinho percebemos o quanto são especiais pois com todas suas limitações eles fazem o amor acontecer no dia a dia, nas pequenas coisas. Há troca, um cede para o outro ficar bem, em consequência o outro cede por amor. Não existe nada mais lindo e dificil hoje em dia!!!







Ref: Corpo sofrido e mal amado (Lucy Penna)
http://www.rubedo.psc.br
foto: achoumabsurdo.blogspot.com
Parte dessas reflexões devo a uma conversa que tive com uma querida amiga e excelente psicologa Alessandra Medeiros (Grupo Policlin).

Nenhum comentário:

Postar um comentário