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domingo, 25 de agosto de 2013

The Walking Dead



Comecei a ver The Walking Dead e nem sabia que era uma série, pensei que fosse um filme. Achei tedioso aquele lance de fugir de zumbis e tal....não vi mais.

Mas um amigo gostou muito então me interessei pelo interesse dele...resolvi ver mais episódios.Acabei querendo ver tudo.

Questionei o porquê da série fazer tanto sucesso. Depois percebi que as relações humanas e o tema fim do mundo é algo subjacente ao ser humano na atualidade. Percebi o quanto as relações humanas são colocadas em cheque, são questionadas no decorrer da série; tanto que  na terceira temporada o foco deixa de ser nos zumbis e passa para as lutas de poder.

A série nos faz pensar que numa situação de caos como saber até onde vai o sentido de humanização. Mesmo com nossas vidas em risco as pessoas tendem a repetir os mesmo padrões de competição e luta pelo poder.

Como não pensar que todos os dias pode ser o último de sua vida. Será que isso muda nossa visão de mundo? Nossos valores, nossas prioridades?

Até que ponto se unir a um grupo ou ficar sozinho para sobreviver?  Até que ponto ajudar, confiar....se colocar em risco para ajudar o outro? Vale a pena qualquer coisa para se manter vivo? Parece ficção mas eu questiono se não vivemos essa realidade de certa forma, psicologicamente falando.

Mas o fenomeno Daryl Dixon, personagem de Norman Reedus realmente foi o que mais me chamou a atenção. A principio ele faz o papel de um homem mal, um bandido que pretende saquear o acampamento junto com o irmão cujo único compromisso que tem é com este irmão mais velho que parece ser uma espécie de ídolo para ele. Contudo, com o decorrer dos acontecimentos, com o afastamento do irmão, ele acaba se identificando com o grupo e passa a ser um defensor e uma peça importante na trama. Então se torna um fenomeno que atrai fanáticos do mundo inteiro. Acredito que o ator incorporou bem o personagem, colocou alma nele mas tambem os autores foram felizes na imagem que formaram do Daryl. Um olhar penetrante e fechado, arco e flecha, cabelo mal cortado, sempre sujo e pronto pra guerra.

Já falei que o arquetípico é aquele vir a ser, potencial para...
Meu texto sobre Don Juan é o mais acessado do blog pois esse personagem tambem é arquetípico, é uma imagem que nos atrai.... Daryl me lembra uma  espécie de  Robin Hood com aquelas flechas e aquele olhar de "mal" mas de um homem decidido e forte. Ja algum tempo as mulheres tem uma forte atração por homens com cara de mal, talvez porque passem a mensagem de forte e remetam a elas algum tipo de  proteção; ou talvez pelo desejo de seduzi-los e te-los apenas para si, pois sabemos que a força da mulher pode muitas vezes estar em sua sedução. Isso as torna tantas vezes super competitivas entre si.

Quando não integramos uma imagem arquetipica ela tende a se tornar uma obssessao, um sonho, um desejo profundo de possuir, de ter algo no qual projetamos essa imagem. Norman nos traz a imagem de um herói, sofrido, forte e de bom coração, talvez até sedutor. Isso é tão forte que fãs ameaçaram de morte a atriz que interpreta Andrea quando ela, a personagem, confunde Daryl com um errante e atira nele mas não o mata. Norman tirou várias fotos com a atriz para acalmar os fãs e lembrá-los de que é somente uma ficção.  Nossa obsessão nos faz facilmente confundir ficção com realidade. Paramos de usar a razão e passamos a olhar o mundo através de nossa ilusão que é ao mesmo tempo uma promessa de um prazer sem fim mas com limites que ultrapassam o construtivo. Esse é o preço das drogas por exemplo.... um prazer que nos leva ao fundo do poço. Isso é inerente ao ser humano, ou seja, somos todos suscetíveis a querer realizar nossa paixões profundamente. O desafio é saber qual é o limite disso.

Precisamos buscar referencias, não podemos evitar as ilusões, sonhos, paixões... mas acima de tudo precisamos saber o que essa referencia significa para nós... o que em nós precisamos desenvolver sem precisar do objeto externo para isso.... Sonhamos com um Daryl Dixon perto de nós mas como o próprio ator disse, ele não é Daryl Dixon.... é apenas Norman Reedus com suas qualidades e com certeza com suas limitações e dores. Afinal Daryl é um personagem, por trás dele existe um homem como nós. Se nos apaixonamos por ele é porque existe algo dele que gostaríamos de ter , de ser.... o que será?????

Bjus

Luciana Voos

imagem do site thewalkingdeadbrasil.com.br



2 comentários:

  1. Srta. Voos parabéns pelo texto, a princípio a sensação que tive de TWD foi semelhante a sua. Com os meses que seguiram apos o primeiro episódio, notei que Hollywood investiu muito no tema "apocaliptico" (talvez não seja a melhor expressão) como Nação Z com Brad Pitt; releitura dos Heróis Marvel (mas que a todo momento estão em confronto com emoções, mesmo os que não são humanos); a série Game of Trones que a princípio explorava a crueldade humana e atualmente há possibilidade de defrontarem com crueldade daqueles que não são humanos; Robocoop na releitura ilustre do diretor José Padilha, O Exterminador entre vários outros. Esse investimento em massa atiçou minha curiosidade, fiz buscas rápidas sobre a temática zumbi, li que desde a década de 80 essa temática é explorada para exemplificar as relações e atitudes dentro da sociedade tipicamente urbana. Gostaria se possível, escrevesse mais sobre TWD indicando leituras da psicologia que ajude a aprofundar na leitura da série. Obrigado ótimo final de semana.

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  2. Oi Andre que bom que gostou.... otimas suas observações... vou escrever mais sim... correlaciono os filmes e series com a psicologia de Jung que fala sobre arquetipos.... os personagens de TWD são fantasticos e muito arquetipicos. Quando voce le O homem e seus Simbolos de Jung da pra entender um pouco melhor.
    Obrigada pelo retorno .

    Luciana Voos

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